terça-feira, 1 de março de 2016

Era uma vez...

Uma vez eu conheci um palhaço.
Era 7 de setembro de 2014, estava eu em uma ação social e fui pedir informações sobre uma pessoa para esse rapaz que estava montando um cenário de circo e me disse que daria aulas de circo para as crianças, me encantei com suas falas e como me contava sobre a sua vida. Me disse que era palhaço, o Dr. Pichuruca (nome dado por uma criança) no hospital São Paulo, visitando crianças em seus leitos para levar conforto e alegria num momento tão difícil, além disso ajudava a cuidar de um projeto com crianças carentes há mais de dez anos, falou sobre sua dedicação e como isso sempre foi a sua busca, levar a alegria para as pessoas. Enxergo isso como um dom divino, uma maravilhosa missão.
Me disse que iria iniciar o tratamento de uma doença no fígado e teria que deixar por um tempo suas atividades e isso o preocupava muito, pois fazia o que amava e que seria um tempo muito difícil, senti compaixão e uma vontade de cuidar dele. 
Eu mal o conhecia, que sentimento estranho de sentir por alguém que acabava de conhecer.
Fiquei um pouco ajudando com suas atividades conforme as crianças iam chegando, tentei equilibrar um pratinho em uma vareta por horas sem sucesso, enquanto as crianças iam conseguindo eu ficava tentando e tentando...
Depois disso fui encontrá-lo novamente um tempo depois, me disse que além de tudo ainda fazia festas infantis e que precisava de ajuda em uma festa próxima da minha casa e eu fui acompanhá-lo tendo a oportunidade de conhecer um pouco mais da sua história, de suas dificuldades, de uma desilusão amorosa e como estava superando tudo isso.
Ele foi me conquistando com o seu charme, sua alegria, desprendimento,  que tive necessidade de falar com ele todos os dias, embora ele falasse muito mais do que eu, me envolvi com isso tudo e acabei me apaixonando por esse palhaço tão encantador e cativante.
Passamos um pouco mais de um ano juntos entre idas e vindas, o tempo de tratamento foi bem difícil, mas ele sempre se esforçou bastante para que não me atingisse de forma negativa, sempre foi romântico e me poupou do sofrimento. Vivemos altos e baixos, mas sempre persistentes de que tudo daria certo.
No final de agosto de 2015 soubemos da cura, mas deveria seguir o tratamento até o final por mais alguns meses, fomos comemorar assistindo um espetáculo de circo na praça Roosevelt em São Paulo, um momento muito especial e de grande alegria, como muitos que vivi ao lado dele.
Nossos caminhos nos separaram, objetivos e buscas diferentes, ainda o amo muito e queria que desse certo, mas não conseguimos. 
Reconheço o trabalho maravilhoso que o Pichuruca faz há mais de dez anos, deixando seu trabalho como autônomo vendedor de lanches para levar amor e alegria a todos. 

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