segunda-feira, 28 de março de 2016

Vamos fugir?

Tem horas que me dá vontade de correr, correr até não conseguir mais respirar
Como se fosse chegar à algum lugar
Como se isso fosse resolver alguma coisa
Como se pudesse transcender
Passar para outra dimensão 

Hoje deu quase tudo errado, de manhã até que tudo bem, atrasei um pouquinho mas tudo funcionou, foi melhor do que eu pensei 
Mas à tarde cochilei e acordei atrasada
Corri para me aprontar para que desse tempo
Fiquei no ponto esperando o ônibus por mais de 40 minutos, lembrei de um jargão muito utilizado: ninguém merece, quase voltei para casa, mas relutei 

Acabei mudando meus planos
Embora sem saber direito o que fazer 
Volto a pensar na vida, nos acontecimentos do dia 
Me lembro que ainda ando muito triste
Mas a tristeza não tem me impedido de fazer nada, ou pelo menos quase nada
Tenho sentido muito sono, nem sei de onde, isso não me pertence
E ainda tô sentido muitas dores no corpo

Penso em desistir de tudo, mudar o rumo da minha vida, mudar de endereço, de carreira, de vida
Mas algo aqui dentro me diz que não, para eu não desistir, não desanimar
Tem algo mais nisso tudo que eu ainda não vi, não vivi
Tenho que viver um dia de cada vez, mas quem disse que eu consigo
Quero atropelar tudo
Ainda mais agora que encontrei um prazer em correr que eu nunca tinha sentido
Pensei que eu só tinha tesão pela dança, atuando e dando aula

Ainda não consegui me restabelecer
Me reconstruir, me refazer
É tudo muito estranho, uma mistura de raiva, com saudade, com culpa, com arrependimento, com tristeza ao mesmo tempo uma libertação, um conforto, uma paz
Tentei que fosse diferente, mas os afastamentos foram iguais, mais uma vez eu vivendo de novo o que eu já vivi e eu já sei o resultado disso
Não quero deixar os meus pedaços por aí, quantos já ficaram
Tenho que ficar pedindo perdão o tempo todo como se a culpa, a responsabilidade fosse toda minha e não me deixasse

Enquanto tem tantas coisas piores acontecendo eu fico aqui batendo na mesma tecla, sofrendo as mesmas coisas, ainda não consigo abandonar, deixar para lá, parece fácil dizer, mas difícil de fazer 
Tenho dificuldade de abrir mão das coisas, das pessoas, me disseram que muitas vezes isso é necessário 






quinta-feira, 24 de março de 2016

Eu nem sei o que é isso

Parece que eu quero aprender e engolir tudo de uma vez
Como se estivesse tudo na minha mão e eu ainda não peguei por negligência ou falta de percepção 
Como se eu pudesse saber de tudo agora e acordasse amanhã já sabendo e tendo aprendido tudo
Já não sofresse mais e iniciasse um caminho de mudança tão intenso que nunca mais acabasse ou nunca mais conseguisse sair 

Como se tivesse despertado de um sonho para uma outra vida ou uma outra maneira de viver
Deixasse as culpas, entregasse os arrependimentos, enxergasse mais além 
Como se tudo que está aqui dentro me bloqueando eu pudesse agora jogar tudo para fora, abrisse todos os compartimentos dos medos, das inseguranças, das incertezas, das falhas, das faltas e pudesse tirar de mim
Como se eu pudesse ser uma outra pessoa, destemida, ousada, confiante, desprendida, forte, capaz, que às vezes eu encontro dentro de mim

Quero poder realizar tudo isso, me abrir para mais, me lançar de verdade, sem reservas, muitas vezes eu sinto como se pudesse tudo, como se pudesse fazer qualquer coisa, mas aí me deixo dominar por tantos sentimentos contrários que eu nem sei aonde vai parar

Quero ser mais, sei que tenho ferramentas para isso, mas ainda não sei como usá-las
Tenho me estruturado, mas fico achando que preciso de ajuda, que sozinha eu não consigo
Como se eu pudesse encontrar alguém que vai me despertar, me impulsionar, me auxiliar, acreditar em mim mais do que eu mesma

Mas aí eu continuo esperando, como uma reação e não uma ação 
Quando vou começar a agir mais e reagir menos 
Acho que ainda não sei pedir ajuda, porque nunca a tenho, ou talvez tenho pedido para as pessoas erradas, nos momentos errados ou da forma errada
Quero um dia aprender a não somente ajudar, mas também ser ajudada e que isso seja natural
Mas meu coração tem gritado muito e perturbado a minha razão 




terça-feira, 22 de março de 2016

Mudanças

Há muito tempo tinha vontade de fazer uma tatuagem
Mas nunca tive coragem 
E nem sabia o que tatuar, já que é algo que ficará marcado para o resto da vida
Embora hoje já existam métodos para retirar, mas não seria essa a ideia

No início desse ano resolvi que queria fazer um piercing e uma tatuagem
Comecei a procurar os lugares
Várias tentativas frustradas, parecia que não era para mim
Um cara não tinha ido no dia, o outro estava atendendo e ia demorar, além de outros locais que não achei tão limpinhos, pensei em desistir
Até que um dia consegui o piercing, na hora, não estava muito caro, ainda bem que foi a menina que colocou porque não gostei do jeito do cara me olhando com um ar desagradável, embora depois uma amiga me falou bem dele, impressões a parte
Um transversal na orelha esquerda, tudo que eu queria, me senti muito bem e mais bonita

Mais um mês depois resolvi que queria a tatoo, defini uma frase no braço direito
Mandei mensagem para o mesmo estúdio do piercing, mas nada do cara responder, nem queria que fosse lá mesmo
Vi um estúdio pertinho da minha casa
Na primeira sessão do meu clareamento nos dentes, com uma dorzinha irritante, resolvi passar lá no estúdio para conversar e saber mais informações
Porém ainda com bastante receio de tomar a atitude de vez

O tatuador, um cara bem louco e muito do bem, super se empolgou com as minhas ideias do que fazer, deu ideias dele também, me senti muito à vontade 
A conversa foi bem legal e me animei ainda mais a fazer e ainda me disse que sempre quis tatuar uma bailarina só estava esperando a oportunidade, mais ainda está no futuro a continuação da tatoo
Mas o medo ainda estava em mim, acho que o desconhecido sempre me apavora 
Decidi que iria fazer só depois do espetáculo, algumas semanas depois daquele dia
Assim eu teria tempo para digerir e criar coragem
E podia fugir mais um pouquinho

Então chegou o dia
O caminho indo para lá foi bem cheio de questões sobre a vida, o agora, o futuro
Nunca pensei que a decisão de uma tatoo mexesse tanto comigo
Quase desisti no meio de tantos pensamentos e sentimentos, tudo a flor da pele, além do calor, e eu sentia o suor escorrendo nas minhas costas
Mas era algo que eu queria muito, não podia, não deveria adiar mais 
Não quero mais complicar tanto as coisas
Não quero ficar só sofrendo

De uns tempos para cá tenho refletido coisas que eu acho que nem merecem reflexão e sim decisão 
Não quero mais perder tempo, quero ganhar e caminhar para frente
Ainda tenho muitos questionamentos sobre tudo, mas acho que eles nunca vão me deixar 



  

domingo, 20 de março de 2016

Coisas que acontecem

Já faz um tempo que não escrevo
Na verdade tentei escrever sobre várias coisas 
Apenas comecei e parei
Nem sei direito o quê
Só algumas vagas ideias 

Fui no dentista para ver se precisava fazer alguma coisa, mas foi apenas uma limpeza que depois deixa a boca sem gosto 
Queria comer as coisas mas não sentia gosto de nada
Aí o dentista perguntou se eu queria fazer um clareamento nos dentes
Já tinha pensado em fazer, mas ainda estava indecisa 

Depois resolvi que eu queria e já fiz duas sessões, ao todo são quatro
O dentista me mostrou como ficaria, que cor os dentes teriam, legal...
Mas tem todo o seu lado ruim
Cada sessão dura uma hora, começa com um creme para limpar e aí faz bochecho e pode cuspir 
Depois coloca um plástico para ficar o tempo todo com a boca aberta e aquele sugador barulhento
Aí coloca um tipo de gel, o aparelho de laser, limpa, lava e começa tudo de novo
Depois repete várias vezes o processo, acho que umas três ou quatro vezes
No fim a boca fica amarga e alguns dentes doem que parece que vai até a alma
Como nunca tive dor de dente, essa dor parece horrível, não sei se é assim a dor que as pessoas sentem

Só sei que a gente evita a dor o tempo todo, se cuida, toma remedinhos, receitinhas caseiras e depois inventa umas coisas para sentir dor e ainda paga por isso 

quinta-feira, 10 de março de 2016

Ai cansei

Ai porque tem que fazer progressiva 
Tem que ter tinta no cabelo 
As unhas tem que estar esmaltadas
As roupas tem que ser de acordo
O que está na moda, não o que é confortável

Para tudo tem uma regra, um padrão 
Ai que inferno 
Porque tem que ser assim
Se bem que higiene e depilação eu concordo plenamente
Mas esse resto é um saco

Cansei de ser menininha, meiguinha, certinha
Que raios eu estou fazendo?
Pra onde estou indo com isso?
Se é que tudo isso leva a algum lugar

Quero meus cachos
Minhas roupas fora de moda
Conforto
Falta de estilo

É daí que meu cabelo parece quebrado?
E que não estou com o peso ideal?
Gosto de me cuidar e ser saudável 
Mas não porque alguém quer que eu seja assim ou assado
Nunca mais vou ser algo para agradar os outros ou a um outro qualquer

Pode ser que a revolta tenha me atingido ou apenas o desejo, ou o mais profundo desejo de mudar
Mudar a forma de pensar, de agir
De não ser sempre como os outros esperam

Onde isso vai parar? Ainda não sei, só sei que é isso que estou sentindo e não vou reprimir, ou suprimir, ou me anular, ou me punir por isso

domingo, 6 de março de 2016

Proteção

Eu prefiro calar para não machucar
Para me guardar 
Para não arcar
Para não arquear

Eu prefiro o silêncio à gritaria
À sangria

O silêncio tem momento
Quando não há resposta 
Só pensamento 

Inspiro e expiro
Não há silêncio em si
Só menos barulho

Assim começa o ouvir
A si, ao outro e ao redor
Até quebrar-se o silêncio 
Que hora, não sei



sexta-feira, 4 de março de 2016

Sofrer sem esmorecer

Estou sofrendo muito ultimamente 
E o sofrimento é algo que parece que nos toma e nunca mais vai sair da gente
E aí entre conversas, leituras e desabafos me peguei co-dependente
Eis aí de onde vinha todo o sofrimento
Nunca tinha me dado conta disso
Mas parece que meus olhos se abriram, se descortinando a essa realidade
No primeiro momento é horrível
E agora o que faço com isso?
É como se eu fosse atropelada por um trem desgovernado
Até que a mente e o coração se entendam nisso, se é que isso é possível 
Sensação de fraqueza, impotência e o pior é que fica cada vez pior
E sem perceber fui me envolvendo e sendo como que absorvida 
Ações, ou melhor reações tendenciosas

Preciso fazer alguma coisa, me afastar do que me causa essa co-dependência, considerada também como obsessão 
Pedir ajuda, ouvir outras pessoas
Ainda estou caminhando rumo a minha libertação 
Com leituras e atenção redobrada aos meus relacionamentos
Mudar a qualquer custo, abrir mão do que for necessário 
E prosseguir, isso para mim hoje é o mais importante

terça-feira, 1 de março de 2016

Era uma vez...

Uma vez eu conheci um palhaço.
Era 7 de setembro de 2014, estava eu em uma ação social e fui pedir informações sobre uma pessoa para esse rapaz que estava montando um cenário de circo e me disse que daria aulas de circo para as crianças, me encantei com suas falas e como me contava sobre a sua vida. Me disse que era palhaço, o Dr. Pichuruca (nome dado por uma criança) no hospital São Paulo, visitando crianças em seus leitos para levar conforto e alegria num momento tão difícil, além disso ajudava a cuidar de um projeto com crianças carentes há mais de dez anos, falou sobre sua dedicação e como isso sempre foi a sua busca, levar a alegria para as pessoas. Enxergo isso como um dom divino, uma maravilhosa missão.
Me disse que iria iniciar o tratamento de uma doença no fígado e teria que deixar por um tempo suas atividades e isso o preocupava muito, pois fazia o que amava e que seria um tempo muito difícil, senti compaixão e uma vontade de cuidar dele. 
Eu mal o conhecia, que sentimento estranho de sentir por alguém que acabava de conhecer.
Fiquei um pouco ajudando com suas atividades conforme as crianças iam chegando, tentei equilibrar um pratinho em uma vareta por horas sem sucesso, enquanto as crianças iam conseguindo eu ficava tentando e tentando...
Depois disso fui encontrá-lo novamente um tempo depois, me disse que além de tudo ainda fazia festas infantis e que precisava de ajuda em uma festa próxima da minha casa e eu fui acompanhá-lo tendo a oportunidade de conhecer um pouco mais da sua história, de suas dificuldades, de uma desilusão amorosa e como estava superando tudo isso.
Ele foi me conquistando com o seu charme, sua alegria, desprendimento,  que tive necessidade de falar com ele todos os dias, embora ele falasse muito mais do que eu, me envolvi com isso tudo e acabei me apaixonando por esse palhaço tão encantador e cativante.
Passamos um pouco mais de um ano juntos entre idas e vindas, o tempo de tratamento foi bem difícil, mas ele sempre se esforçou bastante para que não me atingisse de forma negativa, sempre foi romântico e me poupou do sofrimento. Vivemos altos e baixos, mas sempre persistentes de que tudo daria certo.
No final de agosto de 2015 soubemos da cura, mas deveria seguir o tratamento até o final por mais alguns meses, fomos comemorar assistindo um espetáculo de circo na praça Roosevelt em São Paulo, um momento muito especial e de grande alegria, como muitos que vivi ao lado dele.
Nossos caminhos nos separaram, objetivos e buscas diferentes, ainda o amo muito e queria que desse certo, mas não conseguimos. 
Reconheço o trabalho maravilhoso que o Pichuruca faz há mais de dez anos, deixando seu trabalho como autônomo vendedor de lanches para levar amor e alegria a todos.